Ar de instrumentação
Em sistemas de automação industrial, o ar comprimido que alimenta instrumentos, válvulas de controle e atuadores pneumáticos precisa de um padrão de qualidade bem mais rigoroso do que o ar usado em ferramentas ou processos gerais de fábrica. É esse padrão que a norma ISA-7.0.01-1996, publicada pela International Society of Automation (ISA), define — e que se tornou a referência global para o chamado “ar de instrumentação”.
Para que o ar comprimido seja classificado como ar de instrumentação, ele precisa atender simultaneamente a quatro critérios:
Como a indústria moderna passou a adotar componentes micro-pneumáticos mais sensíveis e posicionadores inteligentes, usuários e fabricantes ficaram mais exigentes. Na prática, a norma ISA-7.0.01 acabou sendo, em certa medida, superada pela ISO 8573-1. Um exemplo: a norma ISA permite até 1 ppm de teor de óleo, mas em muitas fábricas isso já é considerado ar “sujo”. Por isso, aplicam-se graus mais rígidos da ISO como margem de segurança, normalmente os graus 1.2.1 ou 1.4.1. Alguns chegam a especificar compressores de ar isentos de óleo. Dependendo de cada aplicação, pode-se tratar o ar apenas para o sistema de instrumentação ou para toda a planta, para isso tem que levar em conta o que é mais vantajoso economicamente.
Secadores por adsorção podem ser sem aquecimento, quando uma parte do ar comprimido é usada como ar de purga para secar o material adsorvente, o que consome cerca de 15% do ar comprimido gerado, ou com aquecimento, quando o ar de purga é aquecido para regenerar o dessecante, economizando energia de ar comprimido em troca de energia elétrica para o aquecimento. Secadores sem aquecimento apresentam picos de curta duração no ponto de orvalho em determinados momentos.
Um sistema de ar de instrumentação bem projetado normalmente inclui, em sequência:
O ponto de orvalho precisa ficar 10 °C abaixo da menor temperatura ambiente que o sistema vai enfrentar — nem mais, nem menos. Superdimensionar o secador (buscando um ponto de orvalho muito mais baixo do que o necessário) só gera consumo de energia extra sem ganho real de confiabilidade.
Para se manter a confiabilidade do sistema, a manutenção deve ser constante. Abaixo os principais pontos que devem checados:
Funcionamento correto dos drenos de condensado;
Ar de alta pureza funciona como um seguro contra paradas não planejadas. Evitar uma única falha de válvula pode já compensar o custo anual de filtragem do sistema. O caminho recomendado é projetar o sistema com base nas condições ambientais reais do local — e não em suposições genéricas — combinando isso com uma rotina de manutenção disciplinada. O resultado é eficiência energética e confiabilidade operacional ao mesmo tempo.
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